domingo, 5 de janeiro de 2014

A partida no inicio de 2014

Começo por dizer que Portugal voltou a ser um país de emigrantes. Não vou falar das razões, mas parece-me óbvio que quem sofre mais com a globalização são os países periféricos, como é o caso de Portugal. Somos uma família, neste momento, espalhada pelos quatro cantos do mundo, que vai do Rio de Janeiro a Angola. Dos casos de desemprego, com taxas na ordem dos 15,7%, conseguimos durante os primeiros anos da crise sobreviver ao flagelo. Estando efectiva e tendo por obrigação da Troika a empresa onde trabalhava sido vendida a um grupo brasileiro, o risco existente era menor. O marido trabalhava remotamente e em regime de Outsourcing para uma empresa Suiça. Pensei sempre que um dia as coisas podiam subitamente mudar e sermos também nós atingidos mas não tão repentinamente. O projecto do marido termina subitamente em Outubro, com novo gerente da fábrica Suiça a querer o Outsourcing feito apenas por uma empresa só e não por micro-empresas. Ganha uma multinacional. Com esta súbita notícia tentámos emprego na Austrália. Houve contactos que se revelaram infrutíferos, com muita pena nossa, pois se o país está mau a Europa não estará melhor. Foi feita a proposta ao marido pela nova empresa que ganhou o projecto, que reconheceram a sua experiência e a necessidade de o manter no mesmo. Mas a empresa tem os escritórios e este projecto em particular nem mais nem menos que na Polónia. Confesso, não sabia muito deste país, a não ser que era perto da Rússia e que era o país de origem do João Paulo II. Pensei que iria para Varsóvia e sabia a história dos guetos durante a II Guerra Mundial. Mas não, afinal era para uma cidade difícil de pronunciar - Bydsgozcz. Pesquisa no google, percorrer a cidade, que até parecia pequenina. Mas não é, é enorme. Como o primeiro contrato é de 6 meses e neste momento faz muito frio decidimos que o marido iria primeiro. Daqui a uns meses, vamos a caminho para a primeira visita e contacto com os polacos. A partida foi dura, com muito choro à mistura, pouco dinheiro na carteira para pagar despesas cá e lá. O que mais custou foi ver o meu filho agarrado ao pai a chorar! A preocupação de saber como ia ser a chegada e o conseguir comunicar numa terra onde ainda poucos falam inglês e a língua é totalmente diferente. É eslava. Até o moldavo é para nós mais fácil, pois é 30% igual à nossa, ao contrário do polaco. Finalmente depois de ter de apanhar o comboio em Varsóvia o marido chega a Bydsgozcz. Dia seguinte tem a visita de um colega que o convida para ficar na casa dele até arranjar casa. Até agora tem sido 5 estrelas. Hoje foi com ele para traduzir e depois de 3 casas vistas, uma delas cujo senhorio não aceitava estrangeiros, lá fechou negócio e instala-se amanhã. Um dos nossos maiores receios era o frio. E têm estado temperaturas entre -1º e 1º de máxima, coisa difícil de imaginar com os 14º de Lagos. Mas em conversa pelo chat, vejo que anda de manga curta dentro de casa e fiquei mesmo super feliz com isso. O que mais sei sobre a cidade, que é totalmente plana e que muita gente usa bicicleta. E que afinal é enorme. Palavras que já sei: "Bom dia": Gin Dobre e; "Dois cafés": Dwe Cawe. Não me peçam ainda para dizer boa noite, porque está difícil :)

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